28 de dez. de 2009

Meu 60º natal.



E tome coragem, bom humor, brindes, muitas doses de uísque.
Copo bem fininho, ajudou no fascínio e, é claro, na embriaguês.
Bebi com sede de anteontem, sôfrega e destrambelhada-mente.
Porque, mais do que nunca, precisei beber muito para esquecer.
Esqueci da violência, injustiça, falta de sensibilidade e desamor.
Olvidei minhas dores, os fracassos, sonhos, pânicos e horrores.
Fui, doce e alegre, aos meus mortos, como se aqui estivessem.
Porque não temo a morte, apenas a solidão; e sorri para todos.
Por um momento me fixei no azul celeste do olhar do Meu Pai.
Senti as mãos grandes e protetoras de Rodrigo, Filho Perdido.
Verde olhar de Armando, me envolveu; certeza do reencontro.
Quis ligar para a Minha Mãe, ainda se acomodando lá em cima.
Voltei aos vivos mais solta, comendo queijo do reino com uva.
Minha família, incluindo netos, me achou mais feliz e leve.
Sem meus vivos e sem meus mortos, nada sou.
Fiquei e ainda estou, realmente, feliz.

BaKAnynha

Marias.

11 de dez. de 2009

3 Estrelas.


menina moça? talvez mulher menina
 minha neta adolescente rosa carmim   
dia desses Clara brotou; loira, linda 
 e hoje, alerta na vida, bela, querida 
é luminosa, delicada, fina, feminina  
neta/avó; sagitariana/capricorniana
duas pessoas, seus infernos astrais.
sempre esperando alegres janeiros!
ela com 15, eu com 60 dezembros.

(BakAnynha)

10 de dez. de 2009

Poema de Anete.


"Minhas melhores poesias não foram escritas, não houve tempo:
Pensamento desembestado distante das mãos!
São aquelas que balbuciei em voz baixa e repentinamente
Como em um texto decorado que nunca havia lido antes
Versos que declamei para o meu sorriso
E para o sol raso às cinco da manhã na rua de casa
Rua envolta por flores de cactus e folhagens com minha voz
Uma satisfação assustadora, medonha e bonita
Não caberia papel e lápis nesse instante
Gafanhotos embriagados escapulindo da minha boca árida
Palavras que formulei, expliquei e até encenei para uma platéia vibrante
Que se resumia nas mil pulsações do meu peito e na vontade ansiosa de chorar. 
Um choro sem vergonha, um choro bem meu
A parte que eu mais gosto, é de no final do meu showzinho
Poder me olhar (Eu consigo me olhar sem espelho)
E pensar no quanto a poesia tem espaço em mim
No quanto ela me cabe"... (Anete Carla)
******
Anete, 21 anos, menina fértil em beleza e idéias. 
Borboleta de Aldeia, sobrevoa o Poço da Panela.
 
Um dia escrevi para ela: 
 "Anas são cheias das graças, Marias das desgraças, 
segundo os significados -oficiais- dos nomes. 
 Anetes, além das graças, têm talento e sensiblidade. 
"Minha Anete" é muito forte e delicada. 
Proprietária da mais linda e especial leveza no ser, no estar, no querer.
 Por isto, e muito mais, me encanta com seu verso e prosa, 
com sua elegância no viver. Escreve como dança, vive e encanta. 
Muito obrigada pela supresa-emoção, que trouxe brilho à minha tristeza... 
Viva a Menina Morena -Borboleta Caçadora de Ventania!
brisa e alegria". 
Em tempo: Anete tem Blog! Eu sigo:
http://www.catando-vento.blogspot.com/

BakAnynha

28 de nov. de 2009

Teorema.


Escrevo com o olho no trinco da porta.
Erro na rota, miro, atiro na reta torta.
Dia de sábado sem sonho, sem noção.
De tão ausente, em mim resta solidão.
Nela me jogo; não quero parco desejo.
Espero surgir a inspiração, o desapego.
Paralisada, sou puro cenário da agonia.
Insana mania, desisto do fazer alegria.
Banal, assumo e encaro desafio vulgar.
Exercito reles sobreviver sem me amar.
Viciada no verso, sou carmim na prosa.
Meu poema negro, nuances cor de rosa.
Hostil me castigo, sempre me pergunto.
Fatal, no sutil flagelo, não me respondo.
Absurda, clamo por drama, trama, tema.
Lúdica, busco uma paixão. Sou teorema.


BakAnynha/Poço D'Panela.

20 de nov. de 2009

Medo.


e ele vem chegando... eu com medo esperando
a espera é difícil, engulo choro, espero cantando
meu inferno astral se aproxima; e ele me alucina
loucura de quase dezembro volto a ser a menina
aquela menina tímida, presa, pavor de Papai Noel
a que odiava vestido de organdi, luvinhas brancas
saias rodadas, laçarotes e fivelas nos cabelos lisos  
nunca gostei das bonecas, apenas falsas crianças
sonhava, acordada, com os meus filhos de verdade
os filhos vieram; chegaram os netos e nada mudou
eu me enxergo alegre, com os primos, na goiabeira
cigana, queria um circo e treinava voar no trapézio
pendurada no balanço, antecipava muitos aplausos 
Fascínio pela exatidão dos saltos, plumas e brilhos 
confiança completa nos braços e mãos do parceiro. 
Vivo em busca do aconchego que jamais alcancei 
Há 60 anos, brotei e era dezembro azul e dourado
meados do século passado, mil sons, flores, cores
todos os anos a fragilidade cresce, cheia de dores.  
enfrento, desesperados muitos apelos e os terrores
 covarde, olhos vendados, salto e morro de amores.

BakAnynha


18 de nov. de 2009

Sem créditos.




Créditos? Nem à minha própria pessoa!
Nem ao meu pobrecito telefone celular.
Porque já em nada creio e nem preciso.
Recuso as crenças, os saldos e débitos.
Muito tenho para ouvir, nada para falar.
Todos sabem do tudo; vivo só, do nada.
Zonza, perdida no vazio, louca a rodar.
Na dança das teorias, pratico o pensar.
Meus teoremas brotam e tento abortar.
Existenciais, aumentam a dor e o penar.
Resisto à tendência de jamais filosofar.
O esforço provoca vertigem, faz delirar.
Me agarro na lucidez e proíbo o sonhar.
Pés no chão, sol no juízo, alma a gelar.

BakAnynha/Poço D'Panela.

17 de nov. de 2009

Quase dezembro!


Não gosto, sofro, sufuco no sol de quase dezembro.
Recife tórrido, apressado, antipático, supernervoso. 
Pessoas tentam furar a fila, furar o próximo, a vida.
Agonia é palavra certa e agonizando estamos todos.
É programa fatal para estressar, doer e enlouquecer.
Pouca grana, paciência, compaixão e complacência.
Estranho ritual, ácido coquetel, repetido a cada ano.
Engolimos a tristeza, vomitamos falsidade e alegria.
Metálicas vozes eletrônicas, berram loucos mantras.
Entramos na multidão com avidez, angústia, solidão.
Andamos tão cansados, vivemos atrasados, calados.
Imprescindível inútil positivismo, nada real pra falar. 
Por dentro nos pintamos de cinza, pálidos e apáticos.
Lá fora miramos o absurdo, tudo vermelho, dourado.
Morrer... nem pensar! Nenhuma fuga é só novembro!
Já vai terminar. Novamente inferno astral. Dezembro!


Crepúsculo/Praça D'Casa Forte.
Cauã e Vovó Anynha.


Cauã no Plaza/Dezembro!

10 de nov. de 2009

Reencontro.


Reencontrar, celebrar, louvar, e por isto, brincar!
Transbordar ternura, alegria, harmonia, sintonia. 
Era o desejo! Assim foi feito meu quase perfeito. 
Voltei de São Paulo, o meu retorno foi apoteose. 
Um megaevento dirigido e curtido pelo meu par. 
Entrei no ritmo e na festa, tudo muito particular.
Puro deleite; delícia de sonhar, ser, estar, amar.
De manhã, caímos na vida, na lida, sem hesitar.
Recomeçamos o cotidiano e pegamos a estrada.
Sem saber destino, obstáculos, rumo, caminhar.

BakAnynha/Poço D'Panela.

4 de nov. de 2009

Adeus Samantha!.


"Era uma vez uma cadela da raça Golden Retrivier, chamada Samantha.
Grande, loira, linda, dengosa, brincalhona, amiga, e às vezes medrosa.
Era a minha real versão canina neste mundo imundo dos MeosDeoses.
Nunca fui louca por animais, mas me refletia nela, nas suas leseiras.
Vivemos juntas anos e anos, uns 4 anos. Éramos felizes e sabíamos!
Sua parceira no amoroso cotidiano era a labradora chocolate Talitha.
No meu jardim, tomavam banho de mangueira com Ramon e Cauã.
Pai e filho, duas crianças, se entendiam bem com as duas cadelas. 
Samantha se escondia nos dias de jogo de futebol, horror de fogos. 
Eu deixava ela entrar em casa, ficar deitada, quieta, ao meu redor.
Nunca mordeu ou avançou em ninguém, o rabo abanava pra todos.
Mas, no Dia dos Mortos, resolveram assassiná-la. Jogaram veneno.
Ela comeu. Perdeu todo sangue, foi tratada, não resistiu e morreu.
Em São Paulo, sem nada saber, eu via cachorros e lembrava dela.
Amanhã, volto pra casa. Vou encontrar Talitha toda triste e boba.
Jamais vai entender porque a outra lhe deixou só, faleceu, sumiu.
Inho, companheiro de tantos amores e dores, nada dirá, eu já sei. 
 Nossos filhos, noras, genro, netos, Bia, e muitos amigos, sentirão. 
Vamos juntos, lembrar sempre de Samantha, dourada e alegre. 
Agora, surpresa e sentida, lamento não ter lhe dado adeus.

BakAnynha (Sampa de luto).

Samantha toda molhada.
Último banho com Cauã.

Chinchila & Eu.


Estou no décimo andar do prédio Lisy, em Pinheiros, São Paulo.
Não importa o nome da rua, e sim o cenário que vejo da janela.
Céu azulzinho claro, tipo bebê menino, com duas nuvens meigas.
Ruídos distantes; serra elétrica, bate estacas, carros sem buzina.
Sala boa, bonita, aconchegante. No quarto, dorme uma Chinchila.
Ela é peluda, macia, faceira, ágil e gulosa. Ela se chama Cafofilda.  
Nós duas -Eu e Cafofilda- estamos idosas, e gostamos de dengo. 
As pessoas que nos cercam entendem; nos dão comida e afagos. 
Cafolfilda, já teve sua época de arisca e rebelde, assim como eu. 
Hoje? Somos controladas. Temos autocontrole e controle alheio.  
Respeitamos todos limites colocados, contra às nossas vontades.
Claro que gostaríamos de mais liberdade, para corridas e fugidas.
Mas, para que tanta ousadia? Ali mora o perigo, aqui a covardia.
E assim vamos nos acomodando e observando quem entra e sai.
Fazemos nossas análises. Ela usa o faro, eu os sete mil sentidos.
Aprendemos a intuir, escolher, gostar ou ignorar. Pessoas e fatos.
Tudo verdadeiro. Somos animal e gente que envelhecem seletivos.
Detectei na Chinchila o mesmo desconforto que sinto com o calor.
Me identifiquei no seu ar de desprezo quando alguém fala heresia.
Nossos olhos, quase assustados, são atentos só ao que interessa.
Comemos bem melhor, vez em quando, quando nos dão na boca.
Resumo da Ópera Ana & Cafofa: -respeitem nossas naturezas.
Queremos sobre-viver (lindas e tranquilas) e muito bem servidas!

BakAnynha (Sampa)

Jana & Cafofilda
Nós, há 4 anos atrás.

3 de nov. de 2009

Lua de São Paulo.


"Quero fazer magia e produzir fantasia.
Comandar o pranto, engolir meu ranço.
Sonhar loucura ou brincar com ternura. 
Disfarçar meu sentir, o morrer devagar.
Descartar mania de catar a melancolia.
Trilhar o deserto, abandonar amargura.
Reiventar coragem, sozinha ver a Lua.
Lúcida, encantada, nua. Solta na rua."
Anynha D' Sampa

SushiWoman & Sol.


São Paulo, mal chego, Sol aparece, nem acredito. Quero o frio! 
Que é isso Companheiro? Tá loki, se exibindo demasiadamente.
Me persegue na Feira da Benedito Calisto, Paulista e Ibirapuera.
Na maravilhosa Embu das Artes, calor, pele rosa, cabelo amarelo.
Festa no céu. Dia dos Mortos. Lua se vinga do Sol, sai esplêndida.
Nunca brotou tão grande, clara, agressiva, na postura de vida fácil.
Pose de meretriz, garoto de programa, travesti; convite ao pecado.
Que Lua Danada essa Anjos Meus? E Astro Rei Dourado Violento?
Mas, em mim, é tudo "suave", apesar dos pesares, ou justo por eles.
Ah, "suave" é nova gíria da Paulicéia (nervosa, poderosa, estressada). 
Novidade é uma nordestina, Arlete, 1ª Sushiwoman do Brasil!
Iaso, SushiMan da Liberdade, orgulhoso, apresenta a aluna exceção.
Baixinho conta que -com absorvente e tampax- acaba desigualdade.
Moças não podiam pegar nos peixes e arroz devido à menstruação.
Debaixo dos quimonos não usavam calçinhas e o resto se imagina!
Samurais que se danem com suas tradições e viva a modernidade.
Pelo sim pelo não, louvo Arlete... mas devoro sushis masculinos!

BakAnynha D'Sampa

Isao, Eu & Arlete

27 de out. de 2009

São Paulo

"Eu vou viajar, vou pra algum lugar que não é meu lar.
Em lá chegando, demoro a me encontrar, a me situar. 
É sempre assim e assim sempre será; não vou mudar. 
Devagar, tentarei caminhar firme, ouvir, sentir e olhar.
Novas emoções, antigos amigos e Jana a me esperar.
Jana, para quem não sabe, é Minha Anja, a iluminar.
Vou ganhar festa. Feliz escrevo e me dano a rimar!"
BakAnynha D'Poço e D'Sampa
Alê Chapéuzinho e Jana MinhaAnja.

25 de out. de 2009

Insônia InsAna.




"não consigo dormir, não me aquieto, não me acalmo.  
a noite acontece impune e minha insônia enlouquece.
quero gritar mas engulo; me engasgo nas verdades.
vomito o fútil, as obviedades e tolas mediocridades.
nem figas nem orixás, santos e patuás, me sedam.
não olho para o relógio porque minha mente pulsa.
cada batimento é de apreensão, dor, medo, terror.
nenhum motivo, razão, explicação; uma obsessão.
a cabeça lateja; compasso diferente do coração.
anjo e satanás me dominam. É insônia insAna."


BakAnynha 

19 de out. de 2009

Borboleta & Flor!



"Pertenço a espécie das borboletas, disto todos sabem, eu assumo. 
Sou das metamorfoses, das cores, das flores, da liberdade, do mel.
Tenho fragilidade interior e quando estou triste chega o Beija-Flor.
(O nome do passarinho tem hífem ou não? E ainda está na moda?)
Depressão me envolve, ele vem, agitado, trêmulo. Me olha e voa! 
Volta e procura flores, comigo!!! Rosas, papoulas, jasmins e lírios. 
Flertamos nos jardins, pousamos nas folhas, brincamos no campo!
Na relação impera a delicadeza, o efêmero, o sutil, o total prazer.
Somos simples e felizes sim! Sentindo o bom, o belo, o gostoso! 
Dormimos na lua, acordamos no sol, tomamos porres de orvalho. 
Temos ciúmes, brigamos de ódio, fazemos orgias, temos manias.
Sobrevivemos, cúmplices no gozar e sofrer, no amar até morrer. 
Eu, Borboleta dourada carmim. Ele Beija-Flor verde, azul e lilás. 
Cores diversas, siameses em taras, sagas, dramas e comédias".

BakAnynha/Poço D'Panela


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"Quando tu voas, pra beijar as outras flores...
Eu sinto dores, um ciúme e um calor...
Que toma o peito, o meu corpo, e invade a alma...
Só meu beija-flor acalma, tua escrava, meu senhor!
Sou Rosa Vermelha, Ai! Meu bem querer...
Beija-flor, sou tua rosa, e hei de amar-te até morrer."


17 de out. de 2009

Ritual



Real necessidade, vício, tara ou mania.
Esforço cotidiano é indolor e mecânico.
Não me questiono, executo meu ritual.
Penitência, enfeitar a vida noite e dia.
Amanhecer, anoitecer, sem diferenças.
Aurora, crepúsculo, mil vezes na alma.
Eu morro e renasço tanto que nem sei.

Sem vontade, sigo louca, debil-mente. 
Persigo o anonimato e esqueço de mim.
Escancaro o mundo, simples, complexo.
Delibero sem destino, sem norte e nexo.
Olho meu invisível, rasgo a pele carmim.
Me encanto nos mistérios e nas solidões.
E confirmo, olhar bestial, realidade fugaz.
Opino, reflito, conheço. Re-começo tenaz.
Anynha D'poço & D'Pipa

Alerta Leitores!



Alguns amigos raros, preciosos leitores, reclamam.
Atarefados, arrumam tempo para ler o que escrevo.
Beleza! Na hora do elogio ou da crítica, nada, nada.
Sempre acusa erro, ninguém consegue dar a opinião.
Mistério. Tento desvendá-lo e consertá-lo. Insistam!
Quero comentários, seguidores, interação e diálogo. 
Minha terapia não é monólogo e adoro trocar idéias.
Anynha D'Poço & D'Pipa

Overdose.

Ano passado, 2008, inventei, tentei, abandonei um blog.
Era o "Overdose de Lucidez", mania que tenho por isto...
Dos posts, selecionei o mais significativo, mais festivo.
Importante, ganhou transferência para o Bak-Anynha?
Confiram aê!
"Vivemos 26 anos repartindo leito, amores e dores.
No cotidiano, as delícias e deleites, taras e manias.
No Palácio da Justiça, sem alardes, papel passado.
Novo nome: Ana Maria de Melo Guimarães De Biase.
De repente e atrasado, sem convites, luar ou violão.
Mas parecia carnaval, com frevo, maracatu, fantasia. 
Pouca emoção, sem lágrima, sem riso, só nervosismo.
Tudo assinado, casal casado, consumido, consumado.
Era novembro e me queria, com ele, pleno fevereiro!"
Aninha D'Poço/D'Pipa

15 de out. de 2009

Minha Dor.

                                             

                                                 
Uma dor carmim, azul sorrateira.
Lateja. Permanente, permissiva. 
Total! Vida e morte, azar e sorte. 
Às vezes séria; ou mera besteira. 
Renasço e desconstruo meu jogar. 
Louco xadrez é labirinto de horror. 
Fixo o olhar no espelho distorcido. 
No reflexo, meu destino é o penar. 
Serpentina, me enrosco e me lanço. 
E dourada, rodopio no lugar comum. 
Danço, solitária, podre e pobre balé. 
Bebo rubro coquetel de ócio e ranço. 
Flutuo, pés descalços na minha sina. 
Transpiro o asco, cuspo ácido, delírio. 
No palco vazio, a bailarina é platéia. 
Mulher feroz, noturna, loucura felina. 
Mastigo as  mágoas, vomito ternuras. 
Serpenteio entre luxúria, gula, inveja. 
Uivo, cansada da súplica do "meu eu". 
Me escuto no eco da própria amargura. 
Débil dor carmim lateja azul sorrateira. 
Contemplativa, me comparo a La Pietá!


Texto: Anynha D'Poço & D'Pipa.
Foto: Emiliano Dantas.

12 de out. de 2009

Cajueiros.

      
Frondoso, firme, forte, másculo, protetor como sua enorme sombra.
Crianças ensaiam namoros; os adultos até brincam (?) no Cajueiro.  
Tão generoso em flores e frutas, elas podem ser salgadas ou doces.
Falo Cajueiro e penso nos cajus; suculentos, amarelos, encarnados.
A fruta é degustada como suco, doce, calda, passa, cristalizalizada.
Cortada em finíssimas rodelinhas, polvilhada com sal -ui e ai- gente!
É servida com vodka, cerveja, cachaça, cubalibre, guaraná, CocaCola.
Doida delícia, sofisticada. Simples extravagância tropical nordestina.
Passei anos longe desta divertida, aromatizada, estimulante árvore. 
Agora fiz as pazes comigo, com a natureza; declarei guerra ao tédio. 
Ludicamente os Cajueiros enfeitaram minha infância, lá nas Olindas.
 Nos meados do século passado! E hoje me reaparecem em Sibaúma!
Curto tudo! Tronco, brisa, fruta, beleza, formas, cores, cheiro, gosto. 
Exatamente como faço com as pessoas... exerço meus 700 sentidos.


BakAnynha

6 de out. de 2009

Hora de Amora.


"Volúpia, na vontade de ter e  ser.
Pandemônio no eleger prioridades.
Subserviência e muita impaciência.
Os pre e pósconceitos reassumidos.
A covardia domina no sinal amarelo.
Evitar os precipícios, saltos mortais.
Consumida, consumada, sem prumo.
Buscar o verde é uma livre bandeira.
Cuidado e respeito aos rubros sinais.
Fascinantes os novos velhos perigos.
A bússola sem norte, é pista segura.
A curva fechada é fatal; feia e escura.
Parar, estacionar, tudo muito devagar.
Velocidade, marasmo, o louco alternar.
Urgente abrir ou quem sabe escancarar.
Medo das ruas, de pessoas nuas, cruas.
Viver a hora, agora, do nada acontecer".

BakAnynha 

Amora (Renato Teixeira)

"Depois da curva da estrada
tem um pé de araçá
Sinto vir água nos olhos
toda vez que passo lá
Sinto o coração 'frechado' 
cercado de solidão
Penso que deve ser doce
a fruta do coração
Vou contar para o seu pai
que você namora
Vou contar pra sua mãe 
que você me ignora
Vou pintar a minha boca
do vermelho da amora
que nasce lá no quintal
da casa onde você mora"

Para "Amorynha"
Menina Querida Trelosa
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