"Elas não tinham rótulos nem limites.
Ignoravam origem, destino, espécie.
Irrequietas, eram loucas, frenéticas.
Não tão leves como desejavam ser.
Inconseqüentemente soltas e livres.
Nos outubros, se vestiam dos azuis.
Tão espertas, se sabiam mariposas.
Sagazes, sempre disfarçavam a dor.
Dominavam a dose da metamorfose.
Displicentes nos vôos, rumo, prumo.
Puro deboche com o prazer efêmero.
Ousadamente vivam loucos amores.
Insensatas, insanas, nenhum pudor.
Beija-flor predileto, papoula carmim.
Era assim? Ai, ciúme da maldita flor!
Surtadas, ferviam de ódio e vingança.
Sugavam das flores o mel e o veneno.
Outro dia, ressaca, cansaço e solidão.
Mas, sem culpas, de novo borboletear.
Buscar outros pássaros dos mais belos.
Delírio com sons, cores, roteiros, balés.
As duas não se deixam abater. Nunca."
(Bak-Anynha do Poço & da Pipa)
Há mil luas, escrevi para Rê Farache!
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