29 de set. de 2009

Borboletas.



"Elas não tinham rótulos nem limites.

Ignoravam origem, destino, espécie.

Irrequietas, eram loucas, frenéticas.

Não tão leves como desejavam ser.

Inconseqüentemente soltas e livres.

Nos outubros, se vestiam dos azuis.

Tão espertas, se sabiam mariposas.

Sagazes, sempre disfarçavam a dor.

Dominavam a dose da metamorfose.

Displicentes nos vôos, rumo, prumo.

Puro deboche com o prazer efêmero.

Ousadamente vivam loucos amores.

Insensatas, insanas, nenhum pudor.

Beija-flor predileto, papoula carmim.

Era assim? Ai, ciúme da maldita flor!

Surtadas, ferviam de ódio e vingança.

Sugavam das flores o mel e o veneno.

Outro dia, ressaca, cansaço e solidão.

Mas, sem culpas, de novo borboletear.

Buscar outros pássaros dos mais belos.

Delírio com sons, cores, roteiros, balés.

As duas não se deixam abater. Nunca."


(Bak-Anynha do Poço & da Pipa)
Há mil luas, escrevi para Rê Farache!

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24 de set. de 2009

Ela Vida & Ele Luz.




Hoje o sol despertou mais cedo, atento e em movimento, e eu também.
Porque nos finais dos setembros o ritual se repete, apesar dos pesares.
Ou justamente por eles; pelos pesares, que em mim ardem e arranham.
A primavera tem flores, tem aromas, formas, cores, espinhos, venenos. 
Disto sempre soube, a novidade é a força, a intensidade do meu sentir. 
A certeza absoluta de que flores e pessoas têm necessidades especiais.
Em cada uma, melindres, detalhes, dengos. Devem, sim, ser regadas. 
Umas mais, outras menos. Temos as sempre vivas e as vidas breves. 
Vidas de flores e vidas de gentes. Longas ou curtas. Amores ou dores.
Este tema tem tudo a ver com a segunda quinzena do mês setembro. 
Setembro de luz, 21 anos atrás, me deu a única filha mulher: Raisa.
Outro setembro, 11 anos atrás, levou meu filho, meu brilho: Rodrigo. 
Uma brotou dia 21. O outro partiu dia 28. Hoje escrevo e o dia é 24. 
Porque escrevo?! Faço assim quando transbordo, útil ou inutilmente.


BakAnynha (Poço e Pipa).

20 de set. de 2009

Orquídea do Bem.


Segunda 21, Minha Rara 21 anos! Querida, brotou de mim na primavera.
Claro que nasceu flor e precisa ser regada com muito cuidado. É delicada.
Grávida, sonhei com um AnjoLindo me dizendo que a chamasse de Rara. 
As pessoas me disseram que ela poderia detestar quando moça ficasse.
Tinha dúvidas, prefiro nomes fáceis; fui pela voz do povo e escolhi Raisa.
Vicejou ouvindo essa história e também a do meu arrependimento total.
Além de flor, ela pertence a uma espécie em extinção: Orquídea do Bem.
Menina calma, adolescente meiga, moça ajuizada, agora é bela mulher. 
 Aos poucos, sem vaidade, devagarinho, vai se assumindo Rara.
Dádiva de ontem, prenda de hoje. Amor e estímulo!


BakAnynha D'Poço/Pipa.

19 de set. de 2009

Licor de Jurubeba!

Hoje, sábado, meu bom dia foi em francês, doce e alegre.
Não direi o autor da delicadeza, por medo de olho grande.
Falei com ele da insustentável leveza do meu ser. Praquê?
Boca e mãos malditas as minhas (já que tudo era virtual).
Não é que, imediatamente após, eu adoeci, es-mo-re-ci!
De manhã, trilha sonora especial, linda e louca, anos 70.
Jorge Bem não era o Benjor; Gil nem sonhava Ministério.
Os dois no Festival de Montreux, deliraram, na Jurubeba.
Ritmos, rimas, louvores ao divino licor da fruta sertaneja!
Uma sandice inocente que os gringos jamais entenderão.
No balanço da rede, eu ouvi, cantei com eles, ri, sozinha.
Bem disposta, comi frutas e tomei meu banho de cheiro.
Me aprumei para mais um dia de ócio sem tédio. Saímos. 
O meu companheiro de (tantas) caminhadas, firme, forte.
Tonta, na areia branca da praia deserta nem pisei, voltei.
Desconfiada, calafrio, clamei pelos orixás, figas, patuás.
Nos recolhemos, aquietamos, sem bebidas, risos, trelas.
Amanhã, eu rezo. Quem sabe tomo Licor de Jurubeba?

BakAnynha. Do Poço/Da Pipa).


Jurubeba: Gilberto Gil
"Juru juru juru juru juru jurubeba; Beba beba beba beba beba beba juru
Jurubeba/Licor licor licor licor licor de jurubeba; /ba chá de juru, beba chá de jurubeba/Oba, bicharada viva, pé de jurubeba/Jurubeba/Canta, passarada linda, flor de jurubeba/Quem procura acha cura, flor de jurubeba/Quem procura acha na raiz de jurubeba/Tudo que é de bom pro figueredo e que se beba;Feito vinho, feito chá. De licor, de infusão/Jurubeba, jurubeba, planta nobre do sertão"
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18 de set. de 2009

Pouca Morte...

Eu... Maravilhada!
Acintosamente despudorada na alegria e disponibilidade para o prazer. 
É assim que estou, que me declaro. É sentida e visível minha felicidade.
Terminou a autoanálise, instrospecção, ralação da alma nas angústias.  
Magia geográfica e climática, com horizontes, ventos e cheiro de mato.
Nunca dependi da natureza; urbana no ser, no trabalhar, no sobreviver.
Hoje, a natureza me transforma, em mulher de milhares faces e fases.
Não luto contra essa força estranha; natural e facilmente me entrego. 
É tempo de aprender a valorizar e respeitar a minha própria natureza.
Troquei um Recife de stress, por uma Pipa Solar cheia das liberdades.
Me liguei no bem querer, no verde, nas nuances de folhas e de mar.
Andei ao léu, em Sibaúma; viralatas, gringos, nativos e Cuba Libre.
Bebi três doses do rum do pirata, coca americana, limão nordestino.
Século passado, todos tomaram rum; hoje a bebida é marginalizada.
Em mim provoca efeito imediato de tontura, de prazer, muito prazer. 
Aos poucos, de leve, transbordando a alegria, me deixo carnavalizar!
Aí comentei com o nativo Edilsom: -quero ser enterrada em Sibaúma. 
Balançou a cabeça, não se abalou muito, mas delicado, me advertiu: 
 -quero desanimá-la não Aninha, mas por aqui se morre muito pouco!

BakAnynha//D'Poço/D'Pipa

Edilsom Pouca Morte.

15 de set. de 2009

Cio da Serpente.

Quando eu verbalizo sentimento com certeza já não é forte, nem importa.  
Vivencio reencontro comigo e miro meu nebuloso e louco infinito interior.
É um mistério, em virtudes e defeitos, e vez em quando me surpreendo.
Temo minha própria força, envolvimento e transe no pensar e no sentir. 
Intensa nos segredos, me tranco com chaves dos sete pecados capitais.
Felinamente, deito, enrosco, deslizo, me esfrego macia, nas almofadas. 
Permaneço inerte, como serpente quando namora e prolonga sensações.
Autoanálises deixam minha alma em carne viva, ou perfumam meu ego.
Os resultados estão diretamente ligados às condições meteorológicas. 
E também dependem das ordens e desordens domésticas e financeiras.
Chuva oxida meu humor; casas e pessoas desorganizadas o destroem.
Finalmente, sem verba, fatalmente não enfeito ou sublimo vida e lida. 
Chove no Recife, toda noite, irritantemente. E ninguém sabe o motivo. 
Lá pelas 10 e tantas das manhãs, o sol dá o ar da sua graça e brilha.
Indignada, chata, olho pra ele, murmuro: -já brilha tarde, meu nego! 
Às vezes ouve e se esconde nas nuvens, o Astro Rei também covarde.  
O "também é covarde", refere-se à minha deprê e reprimida pessoa.    
Escrevo e observo, iritada, meu lar e meu povo. Desorganizadíssimos!
Medrosa, me calo. Um a zero para o pudor de ser ou parecer severa.
Resumo D'Ópera:-ultimamente reais não tenho e ácido é meu juízo.   
Aí, fico quieta, mandrake... Serpente no cio, deixo o amor acontecer! 

BakAninha D'Poço/D'Pipa
Bailarina aos 2 anos/Voando aos 28. 
 De óculos aos 59/ Depois? Odara!




11 de set. de 2009

Analógico & Digital.

Mea culpa, minha máxima culpa; escrava da comunicação internética. 
Não converso no telefone, falta dinheiro para ricas contas de celular. 
 Não visito amigos, não frequento os mesmos bares, mesmos gupos.
Festas? Nem com aqueles chics convites de sigla francesa: R.P.S.V. 
Outrora, era a confirmação de presença, garantia certa de público.
Hoje, certamente, artifício eficaz de evitar desperdícios culinários.  
 Isso é para pedir desculpas a Henrique, uruguaiobaiano de Luanda.
No sotaque charmoso, chama as pessoas de "veón" e não de "véio"! 
Henrique Véon! Espalha risada contagiante e largamente irreverente. 
Convivemos pouco. O suficiente para o alerta sobre "misteriosa" fama. 
Conheci espiritualidade e ternura; e da última característica, me fartei! 
Talvez ele nem desconfie do bem que me fez, do conforto que me deu.  
Justo quando eu perdi Minha Mãe. Filha única, falhei na sua partida.
Não fiquei perto dela na hora da  grande viagem, que tanto temia. 
Em África, louca, estressada, trabalhava em televisão, rua, redação. 
E Veón me abraçou, conversou com respeito, solidariedade.
Nem melodramas ou hipocrisia. Atrasada, agradeço o gesto.


Serviu vinho, taça límpida: Freddy Suy, Ser Digital! 
 Meu muito obrigada a Véon: Ser Analógico!    
Brindes, brilhos e beijos para vocês! 

BakAnynha D'Poço/D'Pipa

9 de set. de 2009

O Velho & A Guerreira.

Meus problemas aumentaram com este blog de 2 ou 3 leitores. 
Perdi a prática, me deparei com novos recursos gráficos e audiovisuais. 
 "Quem não se comunica se trumbica", dizia O Guerreiro.  Nascido em Surubim, o pernambucano da anarquia, deboches, concursos, e promoção de tantos artistas, soube pintar e bordar no Sul Maravilha.   
Confirme: http://www.youtube.com/watch?v=ATd-ZDKvY E8
Abelardo Barbosa -Chacrinha- razão e emoção na comunicação. 
Por ele, amigo de velhos carnavais, não desisto! Para os erros, correção; com os acertos, tenacidade no postar fotos, músicas e vídeos, quando vontade tiver ou necessário for. Saibam que, minha covardia só "vai até a página 5" de qualquer processo. Se desisto, é que não vale a pena mesmoooooooo!  
Meus pacientes leitores, juro, solenemente, que todos os dias vou nocautear limitações e sentir o gostinho agridoce da superação. 
Interagir, entender e ser entendida. Simples assim!  

BakAnynha D'Poço e D'Pipa

Priscila & Bob -D'Sibaúma.

Cadela Viralata! Na Pipa não é insulto, apenas carinhosa constatação.
Em Sibaúma, rio encontra o mar, antiga e histórica região de quilombo. 
 Entre a Pipa e Barra do Cunhaú, (Rio Grande do Norte, Nordeste, Brasil).
Comunidade de pescadores, linda e calma, vive a sombra dos cajueiros.
Cães de raça amam as "sem pedegree", que correspondem com fervor. 
 Lua Cheia, sem pudores, controles, grilos estéticos, só querem vadiar.
Literalmente se jogam no prazer animal com finos, fofos, valentes!     
Nenhuma neurose de averiguar casta ou selo de qualidade... Na paz! 
Das misturebas nascem os "metade labrador, metade não sei o quê". 
Exemplo é o Bob, fiel escudeiro do Inglês Cris -homem alto e magro. 
Figura de filme ganhador do Oscar, dariamente cumpre rotina peculiar.
Vodka, leitura, cigarro, o conferir a paisagem do seu paraíso tropical. 
 Barraca de Edilsom & Conceição, papo em inglês ou português. 
 Cris espera o animal de estimação; alegria, afagos no retorno de Bob. 
A voltinha matinal, é "controlada" pela displicência do nativo Wando. 
A doce e pequena viralata também aguarda quieta a chegada de Bob. 
Raciocino calada: -é tipo cadela de Atenas, quem sabe uma Helena?  
Engano meu! Balança o rabo e faz festa, quando lhe chamam Priscila!  
Não se sabe de onde veio, quem batizou e  determinou sua docilidade. 
O encontro dos amantes caninos parece muito tão banal para humanos.
Na verdade é confirmação irracional da parceria, do bem querer, afeto.
Mais: cruzamento de interesses, emergências, satisfação dos instintos. 
Ai, ai, ai... Percebem? Eu me identifico!!! 

BakAninha D'Poço/D'Pipa

Minhas Fotos:

 1-Bob/ 2- Priscila/ 3-Cris afaga Bob/4-O amor é lindo.


 

D'Angola & D'Pipa.


Biquine D'Pipa e o Boné D'Angola, sol dourado e céu anil.
Passo largo, ritmado, olhar atento, a fotografar tudo e todos. 
O Tudo: -mares, casas, verdes, flores. Todos: -gentes alegres. 
Pessoas morenas, pequenas, cordiais na forma de dar bom dia. 
Reparo que na Pipa se deseja bom dia com legítima sinceridade. 
Deduzo que, por isto, os dias -e as noites- sejam tão agradáveis.
Com meu companheiro de (vários) caminhos, chego no Chapadão. 
Miro verdes águas, contraste das brancas areias e negras falésias. 
Puro êxtase, com direito à trilha sonora; a paz tem o som de brisa. 
As estradas de barro me remeteram à uma Angola em reconstrução. 
Início do ano, lá trabalhei! Obedeci à rotina do lavapés e lavamãos. 
No lado de cá, as semelhanças não se limitam às estradas e poeiras. 
Avenida dos Golfinhos, principal da Pipa, tão pequena para os turistas. 
Minoria de nativos, igual a Luanda, com tanta gente que vem de longe.
São Torres de Babel: -A africana produz diamantes, petróleo, criaturas! 
 A brasileira, golfinhos, vida boa! Muita boa mesmo para quem a desfruta.
Continentes diversos. Ainda não possuem conexão direta por ar ou mar. 
Na minha cabeça, coração, juízo e pés... ligação imediata e intensa!

BakAnynha/Pipa/RN

4 de set. de 2009

Espelho Meu.

"Sou apenas uma quase sexagenária, reservada e comedida.
Aliás, cometida, aliás, comestível, aliás consumida... adeus!" 
Assim cortei diálogo virtual, msn, com o amigo  Moab Augusto.
Meu amigo repórter, é grande, largo, preto, belo e insistente...  
Nós falávamos de temas profissionais, triviais, pessoais e culinários. 
 Organização do chá de solteiro dele. Do chá para o açougue, um pulo! 
Queria checar um boato: me tornei "filé", depois de deletar 10 quilos? 
Anunciei que, biquine amarelo oxum, estava de saída, indo a La Playa.
Aproveitar a Pipa, farta de mata atlântica, falésias, alegres golfihnos.
Na minha opinião, dica excelente para o fim de papo, não para Moab! 
O questionamento estético, me forçou a uma inesperada autoanálise. 
 Primeiro impulso: correr ao espelho, conferir o que faltava, ou sobrava!  
Daí já não me entreguei às belezas selvagens do paradisíaco balneário. 
Priorizei as "mal traçadas linhas". Vaidade escassa, pudores excessivos?
MáQnada! Vontade doida de cruzar (sentido de encontrar) com nativo. 
Para que este ser me achasse real e sinceramente, um belo de um"filé"!
Seguiria adiante me sentindo mais apetitosa, segura e feliz, certamente.
Respeitando a natureza, especialmente a minha!
BakAnynha D'Poço/D'Pipa.

3 de set. de 2009

Maria Sem Vergonha

Voltei! No velho estilo de pensar uma coisa e fazer outra. 
 Plantar sucesso, regar esperança, colher fracasso. Ou não! 
A derrubar preconceitos, criar outros, e triturá-los depois. 
Meu retorno à condição de blogueira é exemplo recente.
Assim é e será. Tenho opiniões abaláveis, juízo instável. 
Sou tão vulnerável como a popular Maria Sem Vergonha. 
Flor de nome engraçado- muito citada e pouco conhecida! 
Meu primeiro inesquecível blog foi parido por Aline Miranda.
Menina inteligente e risonha, colega das redações da vida. 
Gordinha, aroma tutifruti, tinha covinhas nas bochechas.
Minha Filha (de Leite Condensado) era uma Moranguinha! 
Sem paciência com ignorância internética, ela me ajudou...
Entregou pronto:  http://www.anissima13.blogspot.com/ 
Usei e abusei dos novíssimos conhecimentos tecnológicos.
Recife, campanha eleitoral, manhã solar, notícia trágica!    
 Aline -20 e poucos anos- partira! Vítima de parada cardíaca. 
Triste, quieta, eu raciocinei: -vai ficar melhor "lá do que cá"...
Brotou hostilidade (ela adorava o termo) com meu próprio blog!
Fria e rapidamente, eu o matei, como morta estava minha amiga!
Salve Moranguinha! 
Muitas luas se passaram, muitas coisas aconteceram. Outras não!
Papo virtual, pedi a Juka (K de Kianda) Badaró para criar um blog.
Repórter "baianoboêmio", excelente caráter e cantor, ele atendeu. 
Texto, lirismo e sensibilidade, já brilham no belo "Letras e Copos". http://www.letrasecopos.blogspot.com/ Sou sua  fiel seguidora! 
E não é que me animei? Da afrodisíaca Praia D'Pipa, recomeço.
Renovada-MENTE! Quem quiser e puder... que me aguente! 
Inclusive Aline, no céu... e Juka, na terra. 

 BakAnynha D'Poço/D'Pipa.

Salve Juka Badaró!