27 de out. de 2009

São Paulo

"Eu vou viajar, vou pra algum lugar que não é meu lar.
Em lá chegando, demoro a me encontrar, a me situar. 
É sempre assim e assim sempre será; não vou mudar. 
Devagar, tentarei caminhar firme, ouvir, sentir e olhar.
Novas emoções, antigos amigos e Jana a me esperar.
Jana, para quem não sabe, é Minha Anja, a iluminar.
Vou ganhar festa. Feliz escrevo e me dano a rimar!"
BakAnynha D'Poço e D'Sampa
Alê Chapéuzinho e Jana MinhaAnja.

25 de out. de 2009

Insônia InsAna.




"não consigo dormir, não me aquieto, não me acalmo.  
a noite acontece impune e minha insônia enlouquece.
quero gritar mas engulo; me engasgo nas verdades.
vomito o fútil, as obviedades e tolas mediocridades.
nem figas nem orixás, santos e patuás, me sedam.
não olho para o relógio porque minha mente pulsa.
cada batimento é de apreensão, dor, medo, terror.
nenhum motivo, razão, explicação; uma obsessão.
a cabeça lateja; compasso diferente do coração.
anjo e satanás me dominam. É insônia insAna."


BakAnynha 

19 de out. de 2009

Borboleta & Flor!



"Pertenço a espécie das borboletas, disto todos sabem, eu assumo. 
Sou das metamorfoses, das cores, das flores, da liberdade, do mel.
Tenho fragilidade interior e quando estou triste chega o Beija-Flor.
(O nome do passarinho tem hífem ou não? E ainda está na moda?)
Depressão me envolve, ele vem, agitado, trêmulo. Me olha e voa! 
Volta e procura flores, comigo!!! Rosas, papoulas, jasmins e lírios. 
Flertamos nos jardins, pousamos nas folhas, brincamos no campo!
Na relação impera a delicadeza, o efêmero, o sutil, o total prazer.
Somos simples e felizes sim! Sentindo o bom, o belo, o gostoso! 
Dormimos na lua, acordamos no sol, tomamos porres de orvalho. 
Temos ciúmes, brigamos de ódio, fazemos orgias, temos manias.
Sobrevivemos, cúmplices no gozar e sofrer, no amar até morrer. 
Eu, Borboleta dourada carmim. Ele Beija-Flor verde, azul e lilás. 
Cores diversas, siameses em taras, sagas, dramas e comédias".

BakAnynha/Poço D'Panela


----------------------------------------------
"Quando tu voas, pra beijar as outras flores...
Eu sinto dores, um ciúme e um calor...
Que toma o peito, o meu corpo, e invade a alma...
Só meu beija-flor acalma, tua escrava, meu senhor!
Sou Rosa Vermelha, Ai! Meu bem querer...
Beija-flor, sou tua rosa, e hei de amar-te até morrer."


17 de out. de 2009

Ritual



Real necessidade, vício, tara ou mania.
Esforço cotidiano é indolor e mecânico.
Não me questiono, executo meu ritual.
Penitência, enfeitar a vida noite e dia.
Amanhecer, anoitecer, sem diferenças.
Aurora, crepúsculo, mil vezes na alma.
Eu morro e renasço tanto que nem sei.

Sem vontade, sigo louca, debil-mente. 
Persigo o anonimato e esqueço de mim.
Escancaro o mundo, simples, complexo.
Delibero sem destino, sem norte e nexo.
Olho meu invisível, rasgo a pele carmim.
Me encanto nos mistérios e nas solidões.
E confirmo, olhar bestial, realidade fugaz.
Opino, reflito, conheço. Re-começo tenaz.
Anynha D'poço & D'Pipa

Alerta Leitores!



Alguns amigos raros, preciosos leitores, reclamam.
Atarefados, arrumam tempo para ler o que escrevo.
Beleza! Na hora do elogio ou da crítica, nada, nada.
Sempre acusa erro, ninguém consegue dar a opinião.
Mistério. Tento desvendá-lo e consertá-lo. Insistam!
Quero comentários, seguidores, interação e diálogo. 
Minha terapia não é monólogo e adoro trocar idéias.
Anynha D'Poço & D'Pipa

Overdose.

Ano passado, 2008, inventei, tentei, abandonei um blog.
Era o "Overdose de Lucidez", mania que tenho por isto...
Dos posts, selecionei o mais significativo, mais festivo.
Importante, ganhou transferência para o Bak-Anynha?
Confiram aê!
"Vivemos 26 anos repartindo leito, amores e dores.
No cotidiano, as delícias e deleites, taras e manias.
No Palácio da Justiça, sem alardes, papel passado.
Novo nome: Ana Maria de Melo Guimarães De Biase.
De repente e atrasado, sem convites, luar ou violão.
Mas parecia carnaval, com frevo, maracatu, fantasia. 
Pouca emoção, sem lágrima, sem riso, só nervosismo.
Tudo assinado, casal casado, consumido, consumado.
Era novembro e me queria, com ele, pleno fevereiro!"
Aninha D'Poço/D'Pipa

15 de out. de 2009

Minha Dor.

                                             

                                                 
Uma dor carmim, azul sorrateira.
Lateja. Permanente, permissiva. 
Total! Vida e morte, azar e sorte. 
Às vezes séria; ou mera besteira. 
Renasço e desconstruo meu jogar. 
Louco xadrez é labirinto de horror. 
Fixo o olhar no espelho distorcido. 
No reflexo, meu destino é o penar. 
Serpentina, me enrosco e me lanço. 
E dourada, rodopio no lugar comum. 
Danço, solitária, podre e pobre balé. 
Bebo rubro coquetel de ócio e ranço. 
Flutuo, pés descalços na minha sina. 
Transpiro o asco, cuspo ácido, delírio. 
No palco vazio, a bailarina é platéia. 
Mulher feroz, noturna, loucura felina. 
Mastigo as  mágoas, vomito ternuras. 
Serpenteio entre luxúria, gula, inveja. 
Uivo, cansada da súplica do "meu eu". 
Me escuto no eco da própria amargura. 
Débil dor carmim lateja azul sorrateira. 
Contemplativa, me comparo a La Pietá!


Texto: Anynha D'Poço & D'Pipa.
Foto: Emiliano Dantas.

12 de out. de 2009

Cajueiros.

      
Frondoso, firme, forte, másculo, protetor como sua enorme sombra.
Crianças ensaiam namoros; os adultos até brincam (?) no Cajueiro.  
Tão generoso em flores e frutas, elas podem ser salgadas ou doces.
Falo Cajueiro e penso nos cajus; suculentos, amarelos, encarnados.
A fruta é degustada como suco, doce, calda, passa, cristalizalizada.
Cortada em finíssimas rodelinhas, polvilhada com sal -ui e ai- gente!
É servida com vodka, cerveja, cachaça, cubalibre, guaraná, CocaCola.
Doida delícia, sofisticada. Simples extravagância tropical nordestina.
Passei anos longe desta divertida, aromatizada, estimulante árvore. 
Agora fiz as pazes comigo, com a natureza; declarei guerra ao tédio. 
Ludicamente os Cajueiros enfeitaram minha infância, lá nas Olindas.
 Nos meados do século passado! E hoje me reaparecem em Sibaúma!
Curto tudo! Tronco, brisa, fruta, beleza, formas, cores, cheiro, gosto. 
Exatamente como faço com as pessoas... exerço meus 700 sentidos.


BakAnynha

6 de out. de 2009

Hora de Amora.


"Volúpia, na vontade de ter e  ser.
Pandemônio no eleger prioridades.
Subserviência e muita impaciência.
Os pre e pósconceitos reassumidos.
A covardia domina no sinal amarelo.
Evitar os precipícios, saltos mortais.
Consumida, consumada, sem prumo.
Buscar o verde é uma livre bandeira.
Cuidado e respeito aos rubros sinais.
Fascinantes os novos velhos perigos.
A bússola sem norte, é pista segura.
A curva fechada é fatal; feia e escura.
Parar, estacionar, tudo muito devagar.
Velocidade, marasmo, o louco alternar.
Urgente abrir ou quem sabe escancarar.
Medo das ruas, de pessoas nuas, cruas.
Viver a hora, agora, do nada acontecer".

BakAnynha 

Amora (Renato Teixeira)

"Depois da curva da estrada
tem um pé de araçá
Sinto vir água nos olhos
toda vez que passo lá
Sinto o coração 'frechado' 
cercado de solidão
Penso que deve ser doce
a fruta do coração
Vou contar para o seu pai
que você namora
Vou contar pra sua mãe 
que você me ignora
Vou pintar a minha boca
do vermelho da amora
que nasce lá no quintal
da casa onde você mora"

Para "Amorynha"
Menina Querida Trelosa
**********

5 de out. de 2009

Outubros Azuis.


Saudáveis ou doentios, tristes ou não, nada importa.
Os meus outubros são parcial e inevitavelmente azuis.
Talvez porque setembros, agora, pareçam incolores.   
Ou quem sabe, culpa dos novembros frágeis, fugazes.
Odeio dezembros, seus dinheiros, gentes, presentes. 
Viciada em recomeços, amo janeiros, sou fevereiros.
Fim de ano nada peço, agradeço, cansada do medo.
Arrumada, me pergunto porquê, como, até quando. 
Não me respondo, sou a que não aprende a querer. 
Despenteada, me entrego ao vício de viver por viver.

BakAnynha

1 de out. de 2009

Lá & Lô.

Lá escreveu realidade:
"Aqui na paulicéia está acontecendo algo formidável, a primavera chegou!! Porém, estranhamente continua frio, garoando (como dizem por aqui), o Sol tenta inutilmente lutar contra tanto cinza molhado, mas as árvores, acho que em algum encontro secreto, resolveram juntas ignorar tal tempo fora de hora e ordem, se enfeitam de folhas e flores como se a primavera estivesse bem normal, como se o Sol estivesse lá vitorioso brilhando e as esquentando. Assim a cidade se colore, mesmo molhada."


Lô respondeu com fábula:
Mulher urbANA, mudou, passou a cuidar da natureza, inclusive da sua. Encantou-se com terra, ar, fogo, mar; alumbrou-se com seus mistérios. 
Constatou transparências. Quanto mais complicadas, mais fascinantes!  Gostava das gentes, bichos e plantas, dos simples aos mais exóticos. 
Pés no chão, ouviu a ventania e encheu corações de loucas labaredas. 
 "Flores de plástico não morrem"! Quis ser uma delas, amarela, enorme. 
Só pra ter morte súbita, boba, que seria pesquisada, jamais entendida. Transformaria as flores primaveris paulistanas, em belas "semprevivas". 
Imundes às estações, engarrafamento, violência, garoa, stress, desamor.
Todos felizes! As Meninas Desvairadas da Babilônica Paulicéia, sem TPM.
Saias rodadas, brincariam displicentes, alegres, disponíveis, livres, nuas. 
Na Eterna Primavera da Paz...

BakAnynha D'Poço/D'Pipa