Uma dor carmim, azul sorrateira.
Lateja. Permanente, permissiva.
Total! Vida e morte, azar e sorte.
Às vezes séria; ou mera besteira.
Renasço e desconstruo meu jogar.
Louco xadrez é labirinto de horror.
Fixo o olhar no espelho distorcido.
No reflexo, meu destino é o penar.
Serpentina, me enrosco e me lanço.
E dourada, rodopio no lugar comum.
Danço, solitária, podre e pobre balé.
Bebo rubro coquetel de ócio e ranço.
Flutuo, pés descalços na minha sina.
Transpiro o asco, cuspo ácido, delírio.
No palco vazio, a bailarina é platéia.
Mulher feroz, noturna, loucura felina.
Mastigo as mágoas, vomito ternuras.
Serpenteio entre luxúria, gula, inveja.
Uivo, cansada da súplica do "meu eu".
Me escuto no eco da própria amargura.
Débil dor carmim lateja azul sorrateira.
Contemplativa, me comparo a La Pietá!
Texto: Anynha D'Poço & D'Pipa.
Foto: Emiliano Dantas.
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