28 de nov. de 2009

Teorema.


Escrevo com o olho no trinco da porta.
Erro na rota, miro, atiro na reta torta.
Dia de sábado sem sonho, sem noção.
De tão ausente, em mim resta solidão.
Nela me jogo; não quero parco desejo.
Espero surgir a inspiração, o desapego.
Paralisada, sou puro cenário da agonia.
Insana mania, desisto do fazer alegria.
Banal, assumo e encaro desafio vulgar.
Exercito reles sobreviver sem me amar.
Viciada no verso, sou carmim na prosa.
Meu poema negro, nuances cor de rosa.
Hostil me castigo, sempre me pergunto.
Fatal, no sutil flagelo, não me respondo.
Absurda, clamo por drama, trama, tema.
Lúdica, busco uma paixão. Sou teorema.


BakAnynha/Poço D'Panela.

20 de nov. de 2009

Medo.


e ele vem chegando... eu com medo esperando
a espera é difícil, engulo choro, espero cantando
meu inferno astral se aproxima; e ele me alucina
loucura de quase dezembro volto a ser a menina
aquela menina tímida, presa, pavor de Papai Noel
a que odiava vestido de organdi, luvinhas brancas
saias rodadas, laçarotes e fivelas nos cabelos lisos  
nunca gostei das bonecas, apenas falsas crianças
sonhava, acordada, com os meus filhos de verdade
os filhos vieram; chegaram os netos e nada mudou
eu me enxergo alegre, com os primos, na goiabeira
cigana, queria um circo e treinava voar no trapézio
pendurada no balanço, antecipava muitos aplausos 
Fascínio pela exatidão dos saltos, plumas e brilhos 
confiança completa nos braços e mãos do parceiro. 
Vivo em busca do aconchego que jamais alcancei 
Há 60 anos, brotei e era dezembro azul e dourado
meados do século passado, mil sons, flores, cores
todos os anos a fragilidade cresce, cheia de dores.  
enfrento, desesperados muitos apelos e os terrores
 covarde, olhos vendados, salto e morro de amores.

BakAnynha


18 de nov. de 2009

Sem créditos.




Créditos? Nem à minha própria pessoa!
Nem ao meu pobrecito telefone celular.
Porque já em nada creio e nem preciso.
Recuso as crenças, os saldos e débitos.
Muito tenho para ouvir, nada para falar.
Todos sabem do tudo; vivo só, do nada.
Zonza, perdida no vazio, louca a rodar.
Na dança das teorias, pratico o pensar.
Meus teoremas brotam e tento abortar.
Existenciais, aumentam a dor e o penar.
Resisto à tendência de jamais filosofar.
O esforço provoca vertigem, faz delirar.
Me agarro na lucidez e proíbo o sonhar.
Pés no chão, sol no juízo, alma a gelar.

BakAnynha/Poço D'Panela.

17 de nov. de 2009

Quase dezembro!


Não gosto, sofro, sufuco no sol de quase dezembro.
Recife tórrido, apressado, antipático, supernervoso. 
Pessoas tentam furar a fila, furar o próximo, a vida.
Agonia é palavra certa e agonizando estamos todos.
É programa fatal para estressar, doer e enlouquecer.
Pouca grana, paciência, compaixão e complacência.
Estranho ritual, ácido coquetel, repetido a cada ano.
Engolimos a tristeza, vomitamos falsidade e alegria.
Metálicas vozes eletrônicas, berram loucos mantras.
Entramos na multidão com avidez, angústia, solidão.
Andamos tão cansados, vivemos atrasados, calados.
Imprescindível inútil positivismo, nada real pra falar. 
Por dentro nos pintamos de cinza, pálidos e apáticos.
Lá fora miramos o absurdo, tudo vermelho, dourado.
Morrer... nem pensar! Nenhuma fuga é só novembro!
Já vai terminar. Novamente inferno astral. Dezembro!


Crepúsculo/Praça D'Casa Forte.
Cauã e Vovó Anynha.


Cauã no Plaza/Dezembro!

10 de nov. de 2009

Reencontro.


Reencontrar, celebrar, louvar, e por isto, brincar!
Transbordar ternura, alegria, harmonia, sintonia. 
Era o desejo! Assim foi feito meu quase perfeito. 
Voltei de São Paulo, o meu retorno foi apoteose. 
Um megaevento dirigido e curtido pelo meu par. 
Entrei no ritmo e na festa, tudo muito particular.
Puro deleite; delícia de sonhar, ser, estar, amar.
De manhã, caímos na vida, na lida, sem hesitar.
Recomeçamos o cotidiano e pegamos a estrada.
Sem saber destino, obstáculos, rumo, caminhar.

BakAnynha/Poço D'Panela.

4 de nov. de 2009

Adeus Samantha!.


"Era uma vez uma cadela da raça Golden Retrivier, chamada Samantha.
Grande, loira, linda, dengosa, brincalhona, amiga, e às vezes medrosa.
Era a minha real versão canina neste mundo imundo dos MeosDeoses.
Nunca fui louca por animais, mas me refletia nela, nas suas leseiras.
Vivemos juntas anos e anos, uns 4 anos. Éramos felizes e sabíamos!
Sua parceira no amoroso cotidiano era a labradora chocolate Talitha.
No meu jardim, tomavam banho de mangueira com Ramon e Cauã.
Pai e filho, duas crianças, se entendiam bem com as duas cadelas. 
Samantha se escondia nos dias de jogo de futebol, horror de fogos. 
Eu deixava ela entrar em casa, ficar deitada, quieta, ao meu redor.
Nunca mordeu ou avançou em ninguém, o rabo abanava pra todos.
Mas, no Dia dos Mortos, resolveram assassiná-la. Jogaram veneno.
Ela comeu. Perdeu todo sangue, foi tratada, não resistiu e morreu.
Em São Paulo, sem nada saber, eu via cachorros e lembrava dela.
Amanhã, volto pra casa. Vou encontrar Talitha toda triste e boba.
Jamais vai entender porque a outra lhe deixou só, faleceu, sumiu.
Inho, companheiro de tantos amores e dores, nada dirá, eu já sei. 
 Nossos filhos, noras, genro, netos, Bia, e muitos amigos, sentirão. 
Vamos juntos, lembrar sempre de Samantha, dourada e alegre. 
Agora, surpresa e sentida, lamento não ter lhe dado adeus.

BakAnynha (Sampa de luto).

Samantha toda molhada.
Último banho com Cauã.

Chinchila & Eu.


Estou no décimo andar do prédio Lisy, em Pinheiros, São Paulo.
Não importa o nome da rua, e sim o cenário que vejo da janela.
Céu azulzinho claro, tipo bebê menino, com duas nuvens meigas.
Ruídos distantes; serra elétrica, bate estacas, carros sem buzina.
Sala boa, bonita, aconchegante. No quarto, dorme uma Chinchila.
Ela é peluda, macia, faceira, ágil e gulosa. Ela se chama Cafofilda.  
Nós duas -Eu e Cafofilda- estamos idosas, e gostamos de dengo. 
As pessoas que nos cercam entendem; nos dão comida e afagos. 
Cafolfilda, já teve sua época de arisca e rebelde, assim como eu. 
Hoje? Somos controladas. Temos autocontrole e controle alheio.  
Respeitamos todos limites colocados, contra às nossas vontades.
Claro que gostaríamos de mais liberdade, para corridas e fugidas.
Mas, para que tanta ousadia? Ali mora o perigo, aqui a covardia.
E assim vamos nos acomodando e observando quem entra e sai.
Fazemos nossas análises. Ela usa o faro, eu os sete mil sentidos.
Aprendemos a intuir, escolher, gostar ou ignorar. Pessoas e fatos.
Tudo verdadeiro. Somos animal e gente que envelhecem seletivos.
Detectei na Chinchila o mesmo desconforto que sinto com o calor.
Me identifiquei no seu ar de desprezo quando alguém fala heresia.
Nossos olhos, quase assustados, são atentos só ao que interessa.
Comemos bem melhor, vez em quando, quando nos dão na boca.
Resumo da Ópera Ana & Cafofa: -respeitem nossas naturezas.
Queremos sobre-viver (lindas e tranquilas) e muito bem servidas!

BakAnynha (Sampa)

Jana & Cafofilda
Nós, há 4 anos atrás.

3 de nov. de 2009

Lua de São Paulo.


"Quero fazer magia e produzir fantasia.
Comandar o pranto, engolir meu ranço.
Sonhar loucura ou brincar com ternura. 
Disfarçar meu sentir, o morrer devagar.
Descartar mania de catar a melancolia.
Trilhar o deserto, abandonar amargura.
Reiventar coragem, sozinha ver a Lua.
Lúcida, encantada, nua. Solta na rua."
Anynha D' Sampa

SushiWoman & Sol.


São Paulo, mal chego, Sol aparece, nem acredito. Quero o frio! 
Que é isso Companheiro? Tá loki, se exibindo demasiadamente.
Me persegue na Feira da Benedito Calisto, Paulista e Ibirapuera.
Na maravilhosa Embu das Artes, calor, pele rosa, cabelo amarelo.
Festa no céu. Dia dos Mortos. Lua se vinga do Sol, sai esplêndida.
Nunca brotou tão grande, clara, agressiva, na postura de vida fácil.
Pose de meretriz, garoto de programa, travesti; convite ao pecado.
Que Lua Danada essa Anjos Meus? E Astro Rei Dourado Violento?
Mas, em mim, é tudo "suave", apesar dos pesares, ou justo por eles.
Ah, "suave" é nova gíria da Paulicéia (nervosa, poderosa, estressada). 
Novidade é uma nordestina, Arlete, 1ª Sushiwoman do Brasil!
Iaso, SushiMan da Liberdade, orgulhoso, apresenta a aluna exceção.
Baixinho conta que -com absorvente e tampax- acaba desigualdade.
Moças não podiam pegar nos peixes e arroz devido à menstruação.
Debaixo dos quimonos não usavam calçinhas e o resto se imagina!
Samurais que se danem com suas tradições e viva a modernidade.
Pelo sim pelo não, louvo Arlete... mas devoro sushis masculinos!

BakAnynha D'Sampa

Isao, Eu & Arlete