4 de nov. de 2009

Chinchila & Eu.


Estou no décimo andar do prédio Lisy, em Pinheiros, São Paulo.
Não importa o nome da rua, e sim o cenário que vejo da janela.
Céu azulzinho claro, tipo bebê menino, com duas nuvens meigas.
Ruídos distantes; serra elétrica, bate estacas, carros sem buzina.
Sala boa, bonita, aconchegante. No quarto, dorme uma Chinchila.
Ela é peluda, macia, faceira, ágil e gulosa. Ela se chama Cafofilda.  
Nós duas -Eu e Cafofilda- estamos idosas, e gostamos de dengo. 
As pessoas que nos cercam entendem; nos dão comida e afagos. 
Cafolfilda, já teve sua época de arisca e rebelde, assim como eu. 
Hoje? Somos controladas. Temos autocontrole e controle alheio.  
Respeitamos todos limites colocados, contra às nossas vontades.
Claro que gostaríamos de mais liberdade, para corridas e fugidas.
Mas, para que tanta ousadia? Ali mora o perigo, aqui a covardia.
E assim vamos nos acomodando e observando quem entra e sai.
Fazemos nossas análises. Ela usa o faro, eu os sete mil sentidos.
Aprendemos a intuir, escolher, gostar ou ignorar. Pessoas e fatos.
Tudo verdadeiro. Somos animal e gente que envelhecem seletivos.
Detectei na Chinchila o mesmo desconforto que sinto com o calor.
Me identifiquei no seu ar de desprezo quando alguém fala heresia.
Nossos olhos, quase assustados, são atentos só ao que interessa.
Comemos bem melhor, vez em quando, quando nos dão na boca.
Resumo da Ópera Ana & Cafofa: -respeitem nossas naturezas.
Queremos sobre-viver (lindas e tranquilas) e muito bem servidas!

BakAnynha (Sampa)

Jana & Cafofilda
Nós, há 4 anos atrás.

Um comentário:

Anônimo disse...

Tia, Linda do meu coração...

Me manda esta foto minha e da Meninilda, no tamanho grande, pois quero colocá-la no meu album...

Amo-te, já com muita saudade

Sua Jana