a espera é difícil, engulo choro, espero cantando
meu inferno astral se aproxima; e ele me alucina
loucura de quase dezembro volto a ser a menina
aquela menina tímida, presa, pavor de Papai Noel
a que odiava vestido de organdi, luvinhas brancas
saias rodadas, laçarotes e fivelas nos cabelos lisos
nunca gostei das bonecas, apenas falsas crianças
nunca gostei das bonecas, apenas falsas crianças
sonhava, acordada, com os meus filhos de verdade
os filhos vieram; chegaram os netos e nada mudou
eu me enxergo alegre, com os primos, na goiabeira
eu me enxergo alegre, com os primos, na goiabeira
cigana, queria um circo e treinava voar no trapézio
pendurada no balanço, antecipava muitos aplausos
Fascínio pela exatidão dos saltos, plumas e brilhos
confiança completa nos braços e mãos do parceiro.
confiança completa nos braços e mãos do parceiro.
Vivo em busca do aconchego que jamais alcancei
Há 60 anos, brotei e era dezembro azul e dourado
meados do século passado, mil sons, flores, cores
todos os anos a fragilidade cresce, cheia de dores.
enfrento, desesperados muitos apelos e os terrores
covarde, olhos vendados, salto e morro de amores.
BakAnynha
enfrento, desesperados muitos apelos e os terrores
covarde, olhos vendados, salto e morro de amores.
BakAnynha
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