8 de jun. de 2010

O BakAnynha



-malvada, insensível, ingrata; nenhum remorso não é?
ouvi meu bobo, ridículo, porém mimoso Blog sussurrar.
coberto pelo manto púrpura do desgosto; e com razão. 
mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa, reconheço. 
desprezei meu BlogTerapia, além de amigos queridos.
minha vida de turbilhão é hoje vertigem caleidoscópica.
vejo meus mortos; parada, perambulo caminhos tortos. 
contorcidos dentro de mim, fadas, demônios, arlequins.
prefiro os serafins, sátiros, anjos, arcanjos e querubins.

BakAnynha

11 de mai. de 2010

Carmim.



Ha vestígios de insensatez, dúvidas, certezas
tenho delírios, deleites telúricos e mil delícias 
taras rubras, dias carmim; cordão encarnado
aí rasgo devagarinho sedoso cetim vermelho  
quero pra mim, aqui e agora, suavidade lilás
engatinho no desencanto, flagelo, arranho  
cresce desejo do nada, desdenho do tudo 

BakAnynha

5 de mai. de 2010

Clara.


Olho "Clara"mente, minha neta, espelho cristalino, vida.
Uma princesa, como já fui , meados do século passado
Lembro de mim, meninamulher, nem tão inocente assim
Ávida de vida, mil desejos, delírios, romance e fantasia 
Metas e setas: prazer em ter prazer, amor, muito amor  
Assim foi comigo, minhas crias e agora com os netos.  
Na Minha Tribo pais e mães são jovens, bonitos, bons  
Assisto, aceito, celebro; estranha mania de doar, voar
Que siga o ritual... que a saga continue. Viva Clarinha!


BakAnynha

30 de abr. de 2010

Morte.




E hoje a Lua está muito cheia e eu tão vazia, tão fria
você me conhece tão bem, até me decorou lembra?  
sou sua, tão avesso, nua e crua, na lama, cama, rua   
tínhamos nossos códigos, nossos amores e as dores
juntos e separados brigamos, pecamos e perdoamos
cúmplices no mesmo crime; cenas de paixão e ciúme
possessivos, inconsequentes, masoquistas e sádicos 
você morreu, não adoeceu, não avisou, não chamou
temi muitas das suas mulheres em torno do esquife
elas não apareceram e fui sua viúva (sozinha e feliz)
onde estiver vai me ler, me saber, me sentir e amar
vai me esperar e eu nem vou demorar ou complicar 
não estou tão triste, nem saudosa; sou consciente 
você morto, nosso filho morto, meu caminho torto
sobraram todos; nem creio que ainda estou viva!

BakAnynha

Luas.


 luas se encontram no Espaço Flor de Jasmim
femininas, médias e miúdas, claras e escuras
fiéis às próprias fabulas, sagas, sons, signos. 
A Lua Antiga, quieta e só, bebeu a luz na tribo  
encantada, no fogo, olhou homens estranhos 
nada entendeu do idoma falado, nem poderia
pareciam fortes, felizes, guerreiros corajosos  
donos das mulheres, terras, filhos, verdades 
na festa dele, vinho e brinde, verde e silencio 
assou o peixe prata, pano amarrado no corpo
calado, comandou o nada e organizou o tudo
 Lua Antiga repensou: -reinar é simples assim 

BakAnynha

24 de abr. de 2010

Senhor.



Ele moreno, ela clara; diferentes em quase tudo
ela calma, ele, inquieto; mão na mão, praia azul 
vieram de carro, tomaram balsa, atravessaram rio
a mulher olhava para o alto, sempre teve a mania
 cheiro de terra, sombra dos bambus tão verdinhos 
proibidos de ver arte de Brennand numa pousada
o vigia indica outro lugar, ponto do encantamento
uma moça atendeu, risonha; nenhuma informação
Proprietário? Não estava. O casal deixou o cartão.
Muitas luas se passaram, o Dono, certo dia,  ligou
Nem se conheciam mas já combinaram o encontro
Decisão: casal retorna, alumbrado, mato e jasmim
No dia seguinte, percorrem o casarão, único, lindo   
O Senhor do Reino aceita inquilinos, impõe regras 
Nada de crianças, barulho, bagunça; calma e paz
O magro moreno de barba branca, só concordou 
Ela, já ironica, pensou:-é proibido proibir Senhor!
Aquele velho, muito chato (mistério transparente)  
Foi aí que tudo começou...

BakAnynha

21 de abr. de 2010

Carta p/Mãe.

Oi Mãe!
"Então mãe, me conta daí, Jardim do Paraíso, cercada de anjos?
Então, hoje faz um ano que partiu; eu estava longe, em África.
Tristeza na despedida do hospital, né?; lucidez, carinho amor.
Nós duas conversamos, acertamos ponteiros, houve o adeus. 
Ô! Sentiu tanto medo, não foi? Eu sei! E agora, está tranquila?
Encontrou Papai? Conversou sobre as coisas da terra com ele?
Claro! Como sempre, escondeu certos detalhes mais sórdidos.
Sinceridade total nunca foi mesmo o seu forte... mas tá bem!
As amigas Luzia, Emília, Bezinha, seu irmão Solon, seus pais?
Ah Mãe! Se encontrar Meu Filho Rodrigo, o pai dele Armando.
ÔÔÔ Mãe! Diga a eles que o amor é o mesmo, louco e total.
Eu continuo mutilada de saudade; caminho como posso, viu? 
Nem apaguei os nomes da agenda, quero telefonar todo dia. 
Contar coisas, ouvir ironias, conselhos, promessas de rezas.
Sempre lhe dei problemas, mas nunca lhe trouxe monotonia.
Continuo envelhecendo. Mesma menina medrosa e atrevida.
Tudo que você não queria: a filha mais alternativa do mundo. 
Desculpa Mãe, mas não deu para ser menos tumultuada, tá?
Sofri muito por isto, até tentei ser normal; ainda tento, juro.
Culpa do excesso: amor, dor, prazer, fantasia, sonho, paixão. 
Calma! Chego já aí e continuaremos o papo, firmes e fortes.  
Mas, enquanto isso, apura paciência com os seres celestiais.
Humildade, resiliência, sanidade, sentimentos de todos dia. 
Eu mudei, acredite. Nenhuma brabeza, orgulho, vaidade.
O pavor de baratas e certos exageros ainda permanecem.
Conservo o bom humor e continuo pecando (um pouco).
Beijos da tribo (netos e bisnetos) e um cheiro da filha.

(BakAnynha)

PS: Olha pra baixo, estou aqui, Japaratinga/AL...
Depois conto detalhes...

19 de abr. de 2010

"Sprachorhr" (?)



Era uma vez o castelo, o homem, seu reino 
No Espaço Flor de Jasmim, no abril azul anil
Lendas são reais nas montanhas, sabemos 
Nuvens no firmamento, cabeças, esculturas
Juízos negros, retorcidos na calma absoluta.
Era outra vez, chega a velha mulher urbana
Que invadiu -lúcida, lírica- o lúdico domínio
Danada demente, deslizou no sonho alheio
Escutou paciente o início, o relato, meio, fim 
Tão ousada e calou; tão medrosa, silenciou
De tanto falar -nenhum planear- exagerou  
De estranho nome ele a chamou e rotulou 
Significado: língua do tubo, verbo da alma
Desacreditou, esqueceu, dormiu e sonhou
Polido, num tubo, a palavra ele desenhou
Chegou na hora da visita, deu o presente
Surpresa, ela mirou a prenda, guardou.  
Viu brilho e vagalumes na noite escura
Sentiu suave o efêmero; era dia claro


BakAnynha




10 de abr. de 2010

Azul anil.


Então chegou meu abril, cheio de azul, transbordando anil
Não me fiz de rogada, usei verde natureba e amarelo sol 
Um escândalo, pecado, ironia cruel do Destino; mea culpa.
Não deixei de desfrutá-lo, nem ele de mim; azulzinha soul
É gente minha; estava a merecer pouquito de paz e amor
Beliscar pitada de alubramento, dose dupla de alienação 
O coquetel me inebria, mas a realidade me quer de volta
Não nego! Recife, aqui vou eu! Bem triste e tensa... 
Retomo a minha antiga conhecida e odiada estaca zero 
Vai passar esse "espicha/encolhe" um dia? Seilá, seinão
Tem sido sina, saga; cansada me calo, consinto

BakAnynha (Japaratinga)

14 de mar. de 2010

Eclipse Agnóstico.



JanaMinha: 
"não consigo dormir, a cabeça louca me dói incessantemente
a solidão enorme me envolve, a despeito de quem me rodeia.
não tão grave que me mate neste momento, mas o medo arde
é o medo de ter medo; insônia insana espera meu adormecer.
perdi conta dos anos, esqueci as décadas, os séculos vividos.
estado de alerta eterno, revivencio, lúcida, o meu parto maior.
eu era tão jovem! Acreditava na vida, na força, poder do Bem.
no escuro dei à luz a um Menino e isto me deixou plena, feliz.
quando ele partiu, você assistiu; viu como eu fiquei perplexa. 
nunca entendi nem sorte nem morte; me entreguei, me rendi.
quando o perdi havia muita luz, um sol que insistia em brilhar.
agora é noite e reina claridade tão branca que chega a cegar.
ofuscada, busco o equilíbrio da calma e tardia penumbra lilás.
eu, de tantas palavras, me obrigo calar, desaprendi o chorar.
meu silêncio é grito de socorro; mas ninguém vai escutar". 

BakAnynha


Tia Ana  
(BakAnynha)



14 de fev. de 2010

Mormaço.


Nunca vivenciei o domingo de carnaval com mormaço!
O clima abafa, exterior e interiormente; fico demente.
Nenhuma vontade de multidão, aromas de suor e xixi.
Mudo canais na TV, venho na internet... nada diverte.
Deve ser o mau humor de não ter ido até Garanhuns.
Queria estar curtindo friozinho lá, no Festival de Jazz.
Tomaria vinho, falaria baixinho, ouviria os bons sons.
Recife e Olinda, só cantam musiquinhas antiguinhas.
Gente nova cantando coisa velha, uma repetição só.
Cansei de ouvir "se você fosse sincera ôôô Aurora".
Pessoas se deterrem, mesmo com as poucas roupas.
Comportamento tipo, "vejam como sou belo e feliz". 
Abaixo a hipocrisia! Nunca mais quero isto nãããão! 
Porque é claro que já brinquei, rebolei, ri, disfarcei. 
Este ano assumi abuso, desanimação, insatisfação. 
Louvo recolhimento coberto pelo manto da razão.
Figa e patuá!


BakAnynha 


26 de jan. de 2010

Modernidade.


Fui capturada, me rendi, entrei no Twitter
Está combinado que sou mulher moderna?
Uma criatura à moda antiga, mas flexível 
Faz tempo, batia pé, debatia preconceitos
Sobre-vivo a indagar, responder sem crer
Busco a verdade; nas respostas o espanto
Apesar dos pesares, ainda desejo encanto
Caminhar dinâmico com olhar panorâmico  
Olho na frente considerando lados, atalhos
Passo firme, rápido, miro longe o horizonte
Lá vou eu, corpo e mente, no real e virtual
Email, msn, orkut, facebook, blogs, twitter.
 (Me perdi ontem, será que hoje me acho?)


BakAnynha



Datilografia 1980


25 de jan. de 2010

Tetéu...


Nordestinos, sabem o que é tetéu, ave insana, insone.
Origem é onomatopaica; palavra imita o irritante canto.
Cinza/preto/branco de bico/pernas/esporões vermelhos.
Não dorme; faz tanta zueira que ninguém pode sossegar.
Não serve p/comer; carne dura, nem cozinha nem salga. 
No sul, tetéu muda de nome: é quero-quero ou tero-tero. 
Também é terém-terém, gaivota preta ou espanta boiada.
 A coruja é melhor que tetéu; ela não dorme, zela as crias.
Sonho que viajo para Sampa, vejo a cidade fria, molhada.
Janaína? adormeceu encolhida, papeia com anjos amigos.
La na casa da Moça das Bolsas e Coisas; é tarde, sorrisos.
Confirmo fragilidade, solidão de Tia Deta; está mal de mim.
No último bar aberto, admiro homem (envelhecido e meu).
Está sempre a fumar; aprovo sua eterna rebeldia no viver.
E as mesmas meninas deselegantes? Tão finas e femininas. 
Novamente Rio de Janeiro; me alumbro, como antigamente.
Bar no Leblon, um "noivo"; quem sabe, baterista e gaúcho? 
Eu odeio os Estados Unidos, mas tenho de ir urgente pra lá.  
Claro; beijarei Taciana e abraçarei crianças: Duran, Yasmim.
Antes do dia raiar, faço surpresa, com um cheiro em Nanda.  
 Ahh, em Luanda vão desacreditar da minha meiga presença.
No céu nem pensar: ainda não é a hora dos amores mortos.
Melhor rasante nas camas e berços dos filhos, netos locais.  
Cansada, encerro passeio; insônia insana, suspiro dobrado.
Respiro fundo e forte; faço um esforço, novamente renasço. 

BakAnynha

(BakAnynha)

  

17 de jan. de 2010

Solidão.


Tensão permanente nos músculos e juízo rígidos.
Meu tempo desfila acelerado, conturbado, trágico.
Impera desarmonia nesta irritante e feia sinfonia.
É descontrolada a trilha sonora que embala 2010.
Gentes misturadas em balé alucinante e psicótico.
Permaneço estatica; menina a brincar de estátua.
Murmuro, quieta, verde canção da desesperança. 
Ninguém me enxerga, não se escuta meus uivos.

BaKanynha


4 de jan. de 2010

Trilha.



Sem norte, procuro minha floresta de veludo azul
envolta em antiga burca cintilante, hoje desbotada
triste seguirei a trilha dos trevos vermelho carmim
não importam ventos, cascatas, o aroma das flores
meu corpo não descansará na inodora e pálida relva
medo de não estancar lágrimas das faces tão áridas
vou me banhar no pranto lírico e lúcido das estrelas
sou a Lua Insone que o Sol esconde, mas não ofusca
desconheço o frágil limite entre pesadelo e realidade

mar prateado, poesia do faz de conta, amores finais


BakAnynha/ Poço D'Panela
p/Beto Miranda, 1ª delicadeza do ano.