Oi Mãe!
"Então mãe, me conta daí, Jardim do Paraíso, cercada de anjos?
Então, hoje faz um ano que partiu; eu estava longe, em África.
Tristeza na despedida do hospital, né?; lucidez, carinho amor.
Nós duas conversamos, acertamos ponteiros, houve o adeus.
Ô! Sentiu tanto medo, não foi? Eu sei! E agora, está tranquila?
Encontrou Papai? Conversou sobre as coisas da terra com ele?
Claro! Como sempre, escondeu certos detalhes mais sórdidos.
Sinceridade total nunca foi mesmo o seu forte... mas tá bem!
As amigas Luzia, Emília, Bezinha, seu irmão Solon, seus pais?
Ah Mãe! Se encontrar Meu Filho Rodrigo, o pai dele Armando.
ÔÔÔ Mãe! Diga a eles que o amor é o mesmo, louco e total.
Eu continuo mutilada de saudade; caminho como posso, viu?
Nem apaguei os nomes da agenda, quero telefonar todo dia.
Contar coisas, ouvir ironias, conselhos, promessas de rezas.
Sempre lhe dei problemas, mas nunca lhe trouxe monotonia.
Continuo envelhecendo. Mesma menina medrosa e atrevida.
Tudo que você não queria: a filha mais alternativa do mundo.
Desculpa Mãe, mas não deu para ser menos tumultuada, tá?
Sofri muito por isto, até tentei ser normal; ainda tento, juro.
Culpa do excesso: amor, dor, prazer, fantasia, sonho, paixão.
Calma! Chego já aí e continuaremos o papo, firmes e fortes.
Mas, enquanto isso, apura paciência com os seres celestiais.
Humildade, resiliência, sanidade, sentimentos de todos dia.
Eu mudei, acredite. Nenhuma brabeza, orgulho, vaidade.
O pavor de baratas e certos exageros ainda permanecem.
Conservo o bom humor e continuo pecando (um pouco).
Beijos da tribo (netos e bisnetos) e um cheiro da filha.
(BakAnynha)
PS: Olha pra baixo, estou aqui, Japaratinga/AL...
Depois conto detalhes...