26 de jan. de 2010

Modernidade.


Fui capturada, me rendi, entrei no Twitter
Está combinado que sou mulher moderna?
Uma criatura à moda antiga, mas flexível 
Faz tempo, batia pé, debatia preconceitos
Sobre-vivo a indagar, responder sem crer
Busco a verdade; nas respostas o espanto
Apesar dos pesares, ainda desejo encanto
Caminhar dinâmico com olhar panorâmico  
Olho na frente considerando lados, atalhos
Passo firme, rápido, miro longe o horizonte
Lá vou eu, corpo e mente, no real e virtual
Email, msn, orkut, facebook, blogs, twitter.
 (Me perdi ontem, será que hoje me acho?)


BakAnynha



Datilografia 1980


25 de jan. de 2010

Tetéu...


Nordestinos, sabem o que é tetéu, ave insana, insone.
Origem é onomatopaica; palavra imita o irritante canto.
Cinza/preto/branco de bico/pernas/esporões vermelhos.
Não dorme; faz tanta zueira que ninguém pode sossegar.
Não serve p/comer; carne dura, nem cozinha nem salga. 
No sul, tetéu muda de nome: é quero-quero ou tero-tero. 
Também é terém-terém, gaivota preta ou espanta boiada.
 A coruja é melhor que tetéu; ela não dorme, zela as crias.
Sonho que viajo para Sampa, vejo a cidade fria, molhada.
Janaína? adormeceu encolhida, papeia com anjos amigos.
La na casa da Moça das Bolsas e Coisas; é tarde, sorrisos.
Confirmo fragilidade, solidão de Tia Deta; está mal de mim.
No último bar aberto, admiro homem (envelhecido e meu).
Está sempre a fumar; aprovo sua eterna rebeldia no viver.
E as mesmas meninas deselegantes? Tão finas e femininas. 
Novamente Rio de Janeiro; me alumbro, como antigamente.
Bar no Leblon, um "noivo"; quem sabe, baterista e gaúcho? 
Eu odeio os Estados Unidos, mas tenho de ir urgente pra lá.  
Claro; beijarei Taciana e abraçarei crianças: Duran, Yasmim.
Antes do dia raiar, faço surpresa, com um cheiro em Nanda.  
 Ahh, em Luanda vão desacreditar da minha meiga presença.
No céu nem pensar: ainda não é a hora dos amores mortos.
Melhor rasante nas camas e berços dos filhos, netos locais.  
Cansada, encerro passeio; insônia insana, suspiro dobrado.
Respiro fundo e forte; faço um esforço, novamente renasço. 

BakAnynha

(BakAnynha)

  

17 de jan. de 2010

Solidão.


Tensão permanente nos músculos e juízo rígidos.
Meu tempo desfila acelerado, conturbado, trágico.
Impera desarmonia nesta irritante e feia sinfonia.
É descontrolada a trilha sonora que embala 2010.
Gentes misturadas em balé alucinante e psicótico.
Permaneço estatica; menina a brincar de estátua.
Murmuro, quieta, verde canção da desesperança. 
Ninguém me enxerga, não se escuta meus uivos.

BaKanynha


4 de jan. de 2010

Trilha.



Sem norte, procuro minha floresta de veludo azul
envolta em antiga burca cintilante, hoje desbotada
triste seguirei a trilha dos trevos vermelho carmim
não importam ventos, cascatas, o aroma das flores
meu corpo não descansará na inodora e pálida relva
medo de não estancar lágrimas das faces tão áridas
vou me banhar no pranto lírico e lúcido das estrelas
sou a Lua Insone que o Sol esconde, mas não ofusca
desconheço o frágil limite entre pesadelo e realidade

mar prateado, poesia do faz de conta, amores finais


BakAnynha/ Poço D'Panela
p/Beto Miranda, 1ª delicadeza do ano.