Nordestinos, sabem o que é tetéu, ave insana, insone.
Origem é onomatopaica; palavra imita o irritante canto.
Cinza/preto/branco de bico/pernas/esporões vermelhos.
Não dorme; faz tanta zueira que ninguém pode sossegar.
Não serve p/comer; carne dura, nem cozinha nem salga.
No sul, tetéu muda de nome: é quero-quero ou tero-tero.
Também é terém-terém, gaivota preta ou espanta boiada.
A coruja é melhor que tetéu; ela não dorme, zela as crias.
Sonho que viajo para Sampa, vejo a cidade fria, molhada.
Janaína? adormeceu encolhida, papeia com anjos amigos.
La na casa da Moça das Bolsas e Coisas; é tarde, sorrisos.
Confirmo fragilidade, solidão de Tia Deta; está mal de mim.
No último bar aberto, admiro homem (envelhecido e meu).
Está sempre a fumar; aprovo sua eterna rebeldia no viver.
E as mesmas meninas deselegantes? Tão finas e femininas.
Novamente Rio de Janeiro; me alumbro, como antigamente.
Bar no Leblon, um "noivo"; quem sabe, baterista e gaúcho?
Eu odeio os Estados Unidos, mas tenho de ir urgente pra lá.
Claro; beijarei Taciana e abraçarei crianças: Duran, Yasmim.
Antes do dia raiar, faço surpresa, com um cheiro em Nanda.
Ahh, em Luanda vão desacreditar da minha meiga presença.
No céu nem pensar: ainda não é a hora dos amores mortos.
Melhor rasante nas camas e berços dos filhos, netos locais.
Cansada, encerro passeio; insônia insana, suspiro dobrado.
Respiro fundo e forte; faço um esforço, novamente renasço.
BakAnynha
(BakAnynha)